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Porque merda pouca não fede muito

Sarcasmo, humor, e besteiras. Ou no.

Mar

7

Resenha Iron Maden - Curitiba

By emopago

Iron Maiden – Curitiba - 04/03/2008

A pedreira Paulo Leminski estava repleta de fãs que aguardaram várias horas em uma longa fila para finalmente apreciar a tão aclamada banda Iron Maiden, que a dez anos não tocava na cidade de Curitiba. O show foi aberto por Lauren Harris, filha de Steve Harris, iniciando aproximadamente às 20:10. O som pode ser definido como um hard rock com muita influência pop contemporânea, que acabou não chamando muito a atenção dos fãs do Maiden; tendo como o ápice a música Steal Your Fire, a qual teve direito a algum acompanhamento por parte do público.

A banda subiu ao palco aproximadamente às 21:15h exibindo nos telões imagens de spitfires combatendo na segunda guerra mundial e assim iniciando vigorosamente seu show com o clássico Aces High.
O público foi implacável e cantou com força o refrão “…run; live to fly…”
Infelizmente os equipamentos de Janick Gers sofreram alguns problemas técnicos, que foram corrigidos na próxima música, e logo já se ouviam os primeiros acordes de Two Minutes to Midnight, outro clássico da era Powerslave(1984), uma música que definitivamente marcou época.
Foi cantada na íntegra pelo público fiel que se mostrava satisfeito com o setlist.
Bruce dá as boas vindas a todos e anuncia Revelations, que foi simplesmente incrível… não há muito o que dizer sobre esta maravilhosa versão executada no show de Curitiba. Comparável à da World Slavery Tour que passou pelo Brasil em 1985, porém muito mais lapidada e em grande estilo; Bruce impõe sua plenitude vocal, e mostra que tem fôlego para cantar todos os clássicos do glorioso passado oitentista da banda.
Alguns segundos se passaram, e já começava The Trooper para o delírio dos fãs que observavam Bruce vestindo um antigo modelo de uma farda militar britânica e empunhando a bandeira inglesa, demonstrando seu heróico patriotismo para com a Inglaterra, pátria-mãe do Iron Maiden.

Anunciada pelo vocalista, Wasted Yers é aclamada por todos na pedreira, e literalmente faz o povo pular na hora do refrão. Ficou impecável; o trio de guitarras Adrian/Dave/Janick fluía em sincronia.
Derrepente as luzes se apagaram e quando a narração “Woe to you, of earth and sea…” começou, as luzes vermelhas se acenderam. Neste instante todos já sabiam que se tratava de The Number of the Beast, a música mais polêmica da carreira da banda. Steve Harris teve seu nome bradado por milhares de fãs na hora de solo de baixo e após a música, retribuindo com um simples porém afetuoso sorriso de dmiração ao público. Dave Murray parecia sorrir ao tocar e naquela mesma hora isto consequentemente provocou comemtários satisfatórios a ele como “ele está curtindo fazer o solo para nós”.
A tão esperada Run to the Hills veio na sequência e foi uma festa para o público que estava em frente à grade principal e todos lá presentes. A extensa platéia cantou o refrão da música com emoção e no final, Bruce desferiu uma vocalização no seu melhor estilo agudo/rasgado que fez o público ficar boquiaberto pois muitos (assim como eu) não esperavam vê-lo cantando com tanta precisão, e em perfeita forma vocal.
Ao término deste clássico Bruce aproveita para cumprimentar a galera que estava ocupando até o fim da rampa de entrada e frisar que o lugar estava cheio (ingressos parcialmente ou literalmente esgotados nos 3 shows no país), ressaltando que muito outros fãs gostariam de assistir a banda. Por isso disse que pretendiam voltar e fazer mais shows.
Em seguida, deu algumas pistas de qual seria a próxima música, The Rime of the Ancient Mariner, dizendo que aquilo é o que não se deve fazer se o um pássaro defecar em você.
Essa ”masterpiece” foi sem dúvida um dos pontos mais altos do show, se não o maior.
Adrian Smith sempre com a sua técnica e seriedade fez o épico parecer ainda mais épico.
Ao término da longa música-poema começa Powerslave sem dar tempo para ninguém respirar; E essa música se resume a mais um hino imortal como os tantos outros executados no show. Uma música que marcou época na metade dos anos 80.
Para relembrar os tempos do cd Seventh Son of a Seventh son, Heaven Can Wait vem para abalar as paredes de pedra da pedreira Paulo Leminski, e como já era esperado, alguns fãs sortudos (e bem sucedido$) subiram ao palco para dividir alguns instantes inesquecíveis com a banda. Bruce ganhou uma bóia em forma de jacaré, e desfilou pelo palco com ela embaixo do braço, imitando um macaco (?) para a surpresa de alguns e admiração de outros.
Passam-se alguns segundos ouve-se um “one, two, three, four…” Can I Play with Madness, que de tão bem executada fez com que muitos fãs menos sagazes pensassem que se tratava de playback. Infelizmente alguns ainda duvidam do potencial desta banda-ícone da música mundial que completa neste ano mais de 30 anos de existência.

Fear of the Dark veio na sequência, e comprovou o que muitos já sabiam; a capacidade de fazerem cada vez mais versões superiores de um clássico. Bruce “O alpinista” aproveitou a hora dos solos para demonstrar sua habilidade em escalada e subiu alguns metros nas ferragens estruturais à direita do palco, voltando exatamente na hora certa de pegar seu microfone e cantar o refrão.
O mascote Eddie não poderia deixar de fazer sua ponta na música que carrega o nome da banda, e foi exatamente assim no hino Iron Maiden. A versão do Eddie usada nesta turnê é a mesma do Somewhere in Time, que relembra um pouco o conceito ficcional de exterminador do futuro. Empunhando uma pistola laser e com um olho biônico Eddie tem sido a marca registrada da banda desde os áureos idos dos anos 80. Ao término da música, os músicos se retiram e o palco se escurece. Nesta música Nicko Mckbrain se destaca e faz-se mais presente através da constância rítmica da bateria.

Os fãs óbviamente sabiam que o show não podia terminar ali, e abaixo de muitos “olé, olé olé olé…Maiden, Maiden” a banda retornou ao palco. Bruce notávelmente satisfeito pela interação do público apresenta os integrantes da banda, que foram saudados pelo público um por um. Algumas microfonias passaram desapercebidas por muitos, de tão insignificantes que eram em relação à ótima qualidade de do som do local.
Tocaram Moonchild esbanjando energia e agilidade, emendando com The Clairvoyant, um som essencial para os saudosistas que reverenciam o álbum Seventh Son of a Seventh Son.
O encerramento foi feito com chave de ouro! Executaram com maestria Hallowed be Thy Name, nada mais do que uma música considerada por tantos a mais cativante de toda a história da banda, remontando a história dos questionamentos deíticos de um prisioneiro condenado injustamente a morrer enforcado. Destaque para as bases e solos desta música, simplesmente “animais” que o trio de guitarras dividiu; destaque também para o alcance vocal de Bruce, continuando surpreendentemente arrasador.
Foi interessante observar que Bruce não se despediu do público dizendo adeus ou tchau mas sim “até logo” (Curitiba, see you later), o que indica que a banda realmente pretende voltar em breve para tocar nossas terras.

Em resumo, este show entra para a história como um dos melhores shows de heavy metal já realizados no sul do Brasil; seja pela qualidade sonora, seja pela magnífica banda, performance indefectivel, repertório ou mesmo pela atmosfera inigualável que ostenta um show do Iron Maiden.

por Raoni Paes Peres

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